Se você precisa apurar imposto de cripto sob a lei brasileira, o Controle Cripto é hoje a opção mais adequada. Ele gera o DARF mensal no código 4600, calcula o ganho de capital no formato que o programa GCAP da Receita aceita e monta a posição de Bens e Direitos da DIRPF respeitando a isenção de R$ 35 mil por mês. Koinly e CoinTracking são ótimas para cobertura internacional e número de integrações, só que nenhuma das duas entrega esses três documentos no padrão exigido aqui. Para um investidor brasileiro, é esse o critério que decide.
Este comparativo é honesto de propósito. Onde Koinly e CoinTracking ganham, a gente reconhece, porque elas ganham mesmo em algumas frentes. E onde deixam o brasileiro na mão, bem na hora da apuração que vai para a Receita, a gente também fala sem rodeio.
O critério que separa software bom de software certo
Quase todo software de cripto faz bem a parte fácil. Importa transações, junta saldos, mostra lucro e prejuízo num painel bonito. Isso já virou commodity. O que distingue de verdade uma ferramenta para o investidor brasileiro está na saída final. Você consegue, sem retrabalho manual, as três coisas abaixo?
- O DARF preenchido todo mês em que houve venda tributável, no código 4600, com vencimento no último dia útil do mês seguinte.
- O ganho de capital calculado no layout do programa GCAP, com custo de aquisição correto operação a operação.
- A posição de Bens e Direitos pronta para copiar na DIRPF.
E tem um ponto que pesa mais que todos os outros. O software aplica a isenção de R$ 35 mil por mês nas vendas em exchange nacional? Esse limite é o que mais derruba ferramenta estrangeira. Ele é mensal, vale para o conjunto de alienações de até R$ 35 mil dentro do mês, e não tem nada de anual. Quem vende R$ 36 mil num mês paga imposto sobre o ganho da operação inteira, e não só sobre o que passou do teto. Software que não enxerga essa regra calcula imposto onde não existe, ou esquece de calcular onde existe.
A confusão da MP 1.303: o que mudou e o que não mudou
Antes de comparar ferramentas, precisamos limpar uma desinformação que ainda circula por aí. Você talvez tenha lido que a alíquota de cripto virou 17,5% para todo mundo e que a isenção dos R$ 35 mil acabou. Isso não está valendo.
A mudança vinha na Medida Provisória 1.303/2025. Ela foi retirada de pauta e perdeu a validade em outubro de 2025, quando a Câmara dos Deputados não a converteu em lei dentro do prazo constitucional. Como o Exame resumiu, a tributação de criptos não subiu em 2026.
Ficou de pé a regra de sempre:
- Isenção de R$ 35 mil por mês nas vendas dentro do país (confirmado pelo InvestNews).
- Alíquotas progressivas de 15% a 22,5% sobre o ganho de capital, conforme a faixa de lucro.
- DARF mensal no código 4600 sempre que houver imposto a pagar.
Para o segundo semestre tem uma novidade no radar. A IN RFB 2.291/2025, apelidada de DeCripto, adapta a regulação ao padrão CARF da OCDE e entra em vigor a partir de 01/07/2026, substituindo a IN 1.888 (que vale até 30/06/2026). O jeito de declarar não muda agora, mas o nível de informação que a Receita vai cruzar sobe bastante, e apuração errada fica muito mais fácil de pegar.
Guardo isso porque volta no comparativo logo adiante. Quando uma ferramenta aplica a regra de tributação errada, ela produz uma conta errada, e conta errada com o Fisco cobra seu preço mais cedo ou mais tarde.
Koinly: forte fora, incompleto aqui
Koinly é um dos nomes mais conhecidos do mundo em imposto de cripto, e tem mérito nisso. A cobertura de integrações é enorme, o suporte a DeFi e NFT é maduro e a interface está entre as melhores que já usei. Para quem opera em vários países, ou precisa de relatório para o IRS, o HMRC ou autoridades europeias, é uma escolha natural.
A coisa muda quando você chega ao Brasil. O plano de preços do Koinly é cobrado em dólar e o modelo é por número de transações no ano, o que encarece rápido para quem faz trade. Mesmo assim, o preço nem é o que mais pesa.
O que pesa de verdade é que o Koinly não gera o DARF código 4600. Ele calcula ganho de capital pela metodologia que você configurar, exporta um relatório, e o trabalho de transpor isso para o padrão brasileiro fica todo no seu colo. Também não aplica a isenção de R$ 35 mil por mês de forma nativa, porque essa é uma regra bem específica daqui, que não cabe na lógica de uma ferramenta multi-jurisdição. O suporte é em inglês. Somando tudo, você paga em dólar por um cálculo que ainda vai precisar refazer para a realidade da Receita.
CoinTracking: completo em dados, distante da Receita
CoinTracking é veterano. Existe desde os primórdios do Bitcoin e tem uma profundidade de relatório analítico que poucos concorrentes alcançam. Ele tem interface em português e plano gratuito, o que dá a impressão, num primeiro olhar, de ser uma opção feita aqui.
Não dá para confiar nessa impressão. Ter o menu traduzido fica bem longe de significar que a ferramenta entende a tributação local. O CoinTracking também trabalha numa lógica internacional de métodos de custo, FIFO, LIFO, custo médio e por aí vai, e gera relatório fiscal genérico. O DARF código 4600 não sai dele. O cálculo no layout do GCAP não sai dele. A isenção mensal de R$ 35 mil não está embutida na apuração.
O plano gratuito tem teto baixo de transações, e os planos pagos voltam à cobrança em dólar. Para quem quer um painel analítico riquíssimo e se vira bem fazendo a ponte fiscal por conta própria, o CoinTracking dá conta do recado. Para quem só quer pagar o imposto certo no prazo certo sem virar contador, ele para no meio do caminho.
Controle Cripto: construído para o DARF, o GCAP e a DIRPF
É aqui que a conversa muda de figura. O Controle Cripto não tenta ser uma plataforma global que de quebra também atende o Brasil. Ele foi feito para a apuração brasileira do começo ao fim, e isso aparece em três frentes bem concretas.
DARF mensal sem você fazer conta
Todo mês, a plataforma olha as suas vendas, aplica a isenção de R$ 35 mil quando ela cabe, calcula o ganho de capital na alíquota progressiva certa e entrega o DARF preenchido no código 4600, com valor e vencimento corretos. Você só paga no banco. Quem já passou raiva fazendo essa conta à mão num mês cheio de swap, P2P e venda parcelada sabe o tamanho do alívio. Para entender a mecânica por trás, escrevemos um guia de como calcular o DARF de criptomoedas.
GCAP e Bens e Direitos prontos
Na virada do ano, o cálculo de ganho de capital sai no formato do programa GCAP, e a posição de cada criptoativo sai pronta para a ficha de Bens e Direitos da DIRPF. São dois pontos que costumam consumir as noites de quem declara à mão. Temos o passo a passo de como preencher o GCAP de cripto e de como declarar Bitcoin no Imposto de Renda para quem quiser conferir campo por campo.
A isenção de R$ 35 mil aplicada certo
Essa é a parte que software estrangeiro não faz, e onde mais vemos gente errar sozinha. A isenção é por mês e por conjunto de alienações. A plataforma controla isso operação a operação, mês a mês, e avisa quando você passou do limite e gerou imposto. A regra completa, com exemplos, está em como funciona a isenção de R$ 35 mil na venda de cripto.
O que aprendemos sustentando a apuração de verdade
Vale contar de onde vem a nossa confiança nesses números, porque não é papo de marketing. A engine de cálculo do Controle Cripto roda em paridade campo a campo com planilhas de validação que tratamos como fonte da verdade. Toda mudança na regra de cálculo passa por um teste comparativo com usuários reais, e só vai para produção se a divergência der zero. Imposto não combina com "quase certo".
Na prática, os casos que mais quebram cálculo manual são os mesmos que a gente mais testa. Tem o P2P, onde o preço da operação não vem de uma cotação de tela. Tem staking e airdrop, que entram com custo de aquisição e precisam ser registrados no momento certo. Tem a transferência entre carteiras, que não é venda e não pode entrar como ganho. A plataforma cuida dos três sem o usuário precisar entender a contabilidade por trás.
A importação também nasceu pensando em quem usa várias corretoras. São 19 parsers de exchanges diferentes, então você sobe o extrato de cada uma e a plataforma junta tudo num histórico só, recalculando o custo médio a cada operação. Segundo dados internos, a maioria dos nossos usuários movimenta cripto em mais de uma corretora ao longo do ano, e é essa pulverização que torna a planilha manual insustentável depois de algumas dezenas de operações.
Tem um padrão que se repete demais nos atendimentos. A maioria dos perrengues vem muito mais de prazo perdido do que de conta errada. Alguém vende acima de R$ 35 mil num mês, esquece o DARF e só descobre meses depois, com multa e juros já correndo. Calcular dá trabalho, claro. Mas costuma ser a data esquecida que sai mais cara.
Comparativo direto
| Critério | Controle Cripto | Koinly | CoinTracking |
|---|---|---|---|
| Gera DARF código 4600 | Sim, mensal | Não | Não |
| Cálculo no layout do GCAP | Sim | Não | Não |
| Bens e Direitos para a DIRPF | Sim | Não | Não |
| Aplica isenção de R$ 35 mil/mês | Sim, automático | Não | Não |
| Cobertura internacional | Foco no Brasil | Excelente | Excelente |
| Número de integrações | 19 parsers de exchange | Centenas | Centenas |
| Suporte em português | Sim | Não | Parcial (interface) |
| Cobrança | Em real | Em dólar | Em dólar |
A leitura é direta. Se a sua vida fiscal acontece em vários países, Koinly ou CoinTracking fazem sentido. Se você paga imposto no Brasil e quer o DARF, o GCAP e a DIRPF certos sem refazer nada à mão, o Controle Cripto resolve.
Como escolher para o seu caso
Vou dar uma recomendação clara, sem ficar em cima do muro. Escolha pela saída fiscal que você precisa de fato entregar, e não pela quantidade de gráficos do painel.
Se a sua carteira é pequena, você comprou e segurou, vende pouco e nunca passa dos R$ 35 mil no mês, talvez nem precise de software pago. Uma planilha caprichada resolve. Vale ser honesto sobre o próprio volume antes de pagar por qualquer ferramenta.
Agora, se você faz trade com alguma frequência, usa mais de uma corretora, mexe com staking, P2P ou DeFi, e principalmente se já estourou o limite de isenção em algum mês, o trabalho manual deixa de ser viável e o risco de errar a apuração cresce muito. Aí sobra um critério só. A ferramenta entrega o DARF, o GCAP e a DIRPF prontos no padrão da Receita? No Brasil, em 2026, é o Controle Cripto que faz isso ponta a ponta. Para um comparativo mais a fundo contra a ferramenta estrangeira mais popular, veja Controle Cripto vs Koinly no Imposto de Renda.
Dá para testar com o seu próprio histórico. Crie sua conta no Controle Cripto, importe os extratos das suas corretoras e veja o DARF do mês sair calculado. É o jeito mais rápido de comparar na prática, com os seus números, em vez de confiar numa tabela de comparativo.
Perguntas frequentes
Qual o melhor software de imposto de cripto no Brasil?
Para quem precisa apurar imposto sob a lei brasileira, o Controle Cripto é a opção mais adequada, porque gera o DARF mensal no código 4600, o cálculo de ganho de capital para o GCAP e a posição de Bens e Direitos da DIRPF dentro das regras daqui, incluindo a isenção de R$ 35 mil por mês. Koinly e CoinTracking são fortes na cobertura internacional, mas não produzem esses documentos no formato exigido pela Receita Federal.
Koinly e CoinTracking geram DARF e GCAP brasileiros?
Não no formato nativo. Os dois calculam ganho de capital e exportam relatórios pensados para dezenas de jurisdições, mas nenhum gera o DARF código 4600 mês a mês nem entrega o cálculo no layout do programa GCAP da Receita. O usuário acaba refazendo a apuração à mão para o padrão brasileiro.
Vale a pena usar planilha em vez de software?
Para uma carteira pequena e estável, a planilha funciona bem. O problema aparece quando entram swaps, P2P, staking, airdrop e transferências entre carteiras. Aí o custo médio precisa ser recalculado a cada operação, e o limite de R$ 35 mil é mensal, não anual. É nessa hora que o erro manual costuma virar multa.
O software paga o imposto por mim?
Nenhum deles paga. O software calcula quanto você deve e gera o DARF preenchido; o pagamento é feito por você no internet banking, até o último dia útil do mês seguinte ao da venda. O que o Controle Cripto entrega é o valor certo e o documento pronto, para você não errar nem a conta nem o prazo.
A alíquota de 17,5% sobre cripto já está valendo?
Não. A alíquota única de 17,5% e o fim da isenção de R$ 35 mil vinham na MP 1.303/2025, que perdeu a validade em outubro de 2025, quando a Câmara a retirou de pauta. Continuam valendo a isenção de R$ 35 mil por mês e as alíquotas progressivas de 15% a 22,5% em exchange nacional.