O melhor app para controlar carteira de criptomoedas no Brasil é o que mostra a posição em reais pelo custo médio ponderado, lê o extrato das corretoras que você usa (as brasileiras inclusive) e separa o lucro que você já realizou do que é só valorização no papel. Para quem compra e vende em corretora nacional, o Controle Cripto cumpre os três, mas não é o único bom: CoinStats e Koinly acompanham carteira de graça e cobrem mais redes, e o CoinGecko serve para quem só quer ver o preço de poucas moedas.
A escolha certa muda conforme o que você faz com a cripto. Quem tem três moedas paradas numa corretora precisa de pouco. Quem opera em duas corretoras, troca bitcoin por stablecoin e um dia vai vender precisa de um app que acerte o custo de cada moeda, porque é desse número que sai o lucro. Comparamos sete opções pelos mesmos critérios, com preço conferido no site de cada uma em outubro de 2026, e dizemos em que situação cada uma vale a pena. O Controle Cripto é nosso, então leia a parte dele sabendo disso.
O que um app de carteira precisa responder
Ver o saldo é a parte fácil. Um app útil responde quatro perguntas, e muita gente que chega até nós só sabia responder a primeira:
- Quanto eu tenho hoje, somando todas as corretoras e carteiras, em reais.
- Quanto eu paguei, ou seja, o custo médio de cada moeda considerando todas as compras.
- Quanto eu ganhei ou perdi, separando o que já foi vendido (resultado realizado) do que ainda está na carteira (valorização).
- Quanto eu vendi neste mês, porque é esse total que decide se existe imposto.
As duas primeiras parecem triviais. A segunda engana muita gente, e mostramos por que num exemplo mais abaixo. A quarta é a que transforma um app de acompanhamento em algo que evita problema com a Receita.
Os seis critérios que usamos
Montamos a comparação com critérios que dá para conferir sem confiar no marketing de ninguém:
- Moeda base em real e custo médio ponderado. A conta em dólar com método escolhido pelo usuário (FIFO, LIFO) serve para outros países. No Brasil, o custo de aquisição é o médio ponderado por moeda, e o lucro é medido em reais.
- Como os dados entram. Conexão por API, arquivo exportado da corretora ou digitação. E, principalmente, se as corretoras brasileiras estão na lista.
- Resultado realizado separado da valorização. Misturar os dois faz parecer que você lucrou quando só a cotação subiu.
- Carteira própria e redes. Se o app lê endereço de carteira de autocustódia e quantas redes ele acompanha.
- App no celular. Aplicativo nativo na loja ou uso pelo navegador.
- Preço publicado e o que o grátis entrega. Ferramenta que só informa valor depois de conversa no WhatsApp não dá para comparar.
Comparativo: sete opções lado a lado
| App | Custo médio em R$ | Corretoras brasileiras | Realizado x valorização | Carteira própria (on-chain) | Grátis | Pago |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Controle Cripto | Sim, padrão | Leitores próprios para Mercado Bitcoin, Foxbit, NovaDAX e Coinext; API do Mercado Bitcoin | Sim | Não lê endereço; lançamento manual | 50 transações bônus | R$ 147/ano (400 transações) ou R$ 347/ano (ilimitado) |
| CoinStats | Não informa | Conferir na lista | Sim | Sim | 10 portfólios, 20 mil transações | US$ 13,99/mês (Premium) |
| Koinly | Configurável | Conferir na lista | Sim | Sim | Acompanhamento até 10 mil transações | Relatório de imposto a partir de US$ 49 por ano fiscal |
| CoinTracking | Configurável | Conferir na lista | Sim | Sim | Só visualização de portfólio | US$ 49 a US$ 899/ano |
| CoinGecko Portfolio | Não informa | Não se aplica (cadastro manual) | Não informa | Não informa | Grátis | Não se aplica |
| Blue Cripto | Não informa | Integração com corretoras | App de portfólio "em breve" | Integração com blockchains | Não informa | A partir de R$ 697 |
| Planilha própria | Depende de você | Copiar e colar | Depende das fórmulas | Não | Grátis | Seu tempo |
Dois avisos sobre a tabela. "Não informa" quer dizer que a documentação pública do produto não diz, o que é diferente de dizer que ele faz errado. E "configurável" significa que o app deixa você escolher o método de custo, o que transfere para você uma decisão que no Brasil não é opcional.
Onde os apps internacionais são melhores
Vamos começar pelo que eles fazem melhor do que nós, porque é bastante coisa.
O CoinStats tem o plano gratuito mais generoso da lista: 10 portfólios e até 20 mil transações sem pagar nada, com app nativo bem acabado. O Koinly libera o acompanhamento de carteira de graça até 10 mil transações e só cobra quando você quer baixar o relatório de imposto, a partir de US$ 49 por ano fiscal. O CoinTracking é o que aguenta mais volume, com plano de US$ 899 por ano sem limite de transações.
Os três leem endereço de carteira própria em várias redes. Se você tem moedas espalhadas em MetaMask, Ledger, Solana e duas redes de camada 2, eles acompanham tudo pelo endereço. O Controle Cripto não faz esse rastreio, e é melhor você saber disso agora. Também são a escolha natural para quem declara imposto em mais de um país.
E se você só quer saber quanto valem as suas cinco moedas, o portfólio do CoinGecko resolve sem cadastro de cartão. Você digita o que tem e acompanha.
Onde eles tropeçam para quem mora aqui
O problema aparece no dia em que você vende.
Apps feitos para o público global calculam em dólar e deixam o método de custo à escolha. Para acompanhar patrimônio, tudo bem. Para saber o lucro de uma venda feita em real, numa corretora brasileira, o número pode sair diferente do que a Receita espera. E o relatório não separa o que foi vendido em corretora nacional do que foi vendido no exterior, que no Brasil seguem regras diferentes (explicamos em corretora nacional ou estrangeira).
Antes de assinar qualquer um, procure na lista de integrações a corretora brasileira que você usa. Se ela não estiver lá, você vai depender de planilha de importação genérica, e é aí que a maioria dos erros entra.