O Ethereum (ETH) é declarado no Imposto de Renda na ficha Bens e Direitos, grupo 08 (Criptoativos), código 02 (altcoins), informado sempre pelo custo de aquisição e não pelo valor de mercado. Você precisa declarar quando o custo de compra do seu ETH chegou a R$ 5.000 ou mais em 31/12. Já o imposto sobre o lucro só aparece quando você vende: se o total de vendas de criptomoedas no mês passar de R$ 35.000, o ganho é tributado em alíquotas de 15% a 22,5%, com DARF código 4600 pago até o último dia útil do mês seguinte.
A partir daqui, este guia destrincha cada parte: onde lançar o ETH na declaração, como calcular o ganho de capital, o que muda quando você faz staking e por que a permuta de uma cripto por outra também conta para o limite de R$ 35 mil. Todos os exemplos têm as contas refeitas na mão.
Quem é obrigado a declarar Ethereum
A regra da Receita é objetiva: se o custo de aquisição de um tipo de criptoativo somar R$ 5.000 ou mais, ele precisa constar na declaração. O parâmetro é o quanto você pagou, não quanto a posição vale hoje. Se você comprou ETH ao longo do ano e o total investido chegou a R$ 5.000, o Ethereum entra na sua DIRPF, mesmo que o preço tenha caído depois.
Esse piso vale por tipo de cripto. Então Bitcoin, Ethereum e uma stablecoin são contados separadamente. Você pode ter R$ 4.000 em ETH e R$ 4.000 em BTC e, individualmente, nenhum dos dois bater os R$ 5.000. Mas atenção: ter de declarar o bem e ter de pagar imposto são duas coisas distintas. Declarar o saldo é uma obrigação de informação. O imposto só nasce quando há venda com lucro acima do limite mensal, assunto da próxima seção.
Vale lembrar de outra obrigação acessória que pega quem usa corretoras de fora. A IN RFB 1.888/2019 exige que pessoas físicas que movimentem mais de R$ 30.000 em um mês em exchanges sem sede no Brasil enviem uma declaração mensal própria à Receita, separada da DIRPF anual. Quem opera só em corretora nacional não precisa disso, porque a própria corretora reporta.
Onde lançar o ETH: grupo 08, código 02
No programa da declaração, abra a ficha Bens e Direitos e procure o grupo 08 (Criptoativos). Dentro dele, os códigos separam os tipos de ativo:
- Código 01: Bitcoin (BTC)
- Código 02: outras criptomoedas, as altcoins, onde entram Ethereum (ETH), XRP, Litecoin e a maioria das moedas de mercado
- Código 03: stablecoins, como USDT, USDC, BRZ e DAI
- Código 10: NFTs
- Código 99: demais criptoativos
O Ethereum vai no código 02. Esse é o ponto que mais gera confusão de quem está acostumado a declarar Bitcoin: o BTC tem código próprio (01), e todo o resto, incluindo o ETH, cai no 02. Se você já leu nosso guia de como declarar Bitcoin no Imposto de Renda, a mecânica da ficha é a mesma, só muda o código.
No campo Discriminação, descreva o ativo de forma que a Receita consiga rastrear: tipo da moeda (Ethereum), quantidade, e o nome e CNPJ da corretora ou a forma de custódia (carteira própria, por exemplo). Em Situação em 31/12/2025, informe o custo de aquisição acumulado, ou seja, o total que você pagou pelos ETH que ainda estavam na sua mão no fim do ano. Não use a cotação de dezembro. A Receita quer o valor histórico de compra.
Uma observação de quem mexe com isso o dia inteiro: nas declarações que vemos serem feitas pela primeira vez, o erro mais comum em altcoins não é errar o código, é preencher a situação com o valor de mercado em vez do custo. A pessoa olha a carteira, vê "R$ 18.000 em ETH" e digita isso, quando o correto seria o que pagou (digamos, R$ 11.000). Isso infla o patrimônio declarado e cria divergência na hora da venda. Segundo dados internos da nossa plataforma, esse é de longe o equívoco que mais aparece entre quem declara Ethereum sem ferramenta de apoio.
Quando o Ethereum gera imposto: ganho de capital
Guardar ETH não paga imposto. Vender com lucro, sim, desde que você ultrapasse a faixa de isenção. A conta tem dois passos.
Primeiro, o ganho: é o preço de venda menos o custo de aquisição daquela parcela vendida. Se você comprou 1 ETH por R$ 12.000 e vendeu por R$ 18.000, o ganho foi de R$ 6.000.
Segundo, o limite de isenção de R$ 35 mil por mês. Aqui mora o detalhe que mais gera erro: o limite olha o total de vendas de criptoativos no mês, somando todas as moedas, e não o lucro nem cada moeda isolada. Se a soma de tudo que você vendeu no mês ficou em até R$ 35.000, o ganho é isento. Passou de R$ 35.000, o lucro inteiro é tributado, não só a parte acima do limite.
Um ponto que muita gente ignora: trocar uma cripto por outra também é alienação. Trocar ETH por uma stablecoin, ou por outra altcoin, é uma venda aos olhos da Receita, mesmo sem reais entrarem na sua conta. O valor de mercado da cripto no momento da permuta entra na soma do mês e pode estourar os R$ 35.000 sozinho ou junto de outras operações.
Quando passa do limite, as alíquotas são progressivas sobre o ganho do mês:
| Ganho no mês | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 5 milhões | 15% |
| De R$ 5 mi a R$ 10 mi | 17,5% |
| De R$ 10 mi a R$ 30 mi | 20% |
| Acima de R$ 30 mi | 22,5% |
Na prática, o investidor pessoa física quase sempre fica na faixa de 15%. As alíquotas maiores só atingem quem realiza milhões de lucro num único mês.
O imposto é apurado mês a mês, calculado no programa GCAP da Receita, e pago via DARF código 4600 até o último dia útil do mês seguinte à venda. Não espere a declaração anual para pagar: o GCAP é mensal, e os dados depois são importados para a DIRPF. Se quiser o passo a passo do preenchimento, temos um guia dedicado a como preencher o ganho de capital de cripto no GCAP e outro sobre como calcular e pagar a DARF de criptomoedas.
Exemplos com as contas refeitas
Nada explica melhor que número. Os três casos abaixo foram conferidos manualmente.
Caso 1: venda pequena, isento
Você comprou 2 ETH por R$ 30.000 (R$ 15.000 cada). Em março, vende 1 ETH por R$ 22.000. O custo daquele ETH era R$ 15.000, então o ganho foi de R$ 7.000. Mas o total de vendas de cripto no mês foi R$ 22.000, abaixo dos R$ 35.000. Resultado: isento, nada de DARF. Você ainda informa a operação no GCAP como isenta e ajusta o saldo de ETH na ficha de bens.
Caso 2: venda acima do limite, tributável
Mesma compra de 2 ETH por R$ 30.000. Em abril, o ETH valoriza e você vende 1 ETH por R$ 50.000. O custo era R$ 15.000, logo o ganho foi de R$ 35.000. O total de vendas no mês (R$ 50.000) passou dos R$ 35.000, então o lucro é tributado. Na faixa de 15%: R$ 35.000 × 15% = R$ 5.250 de imposto, pago em DARF código 4600 até o último dia útil de maio.
Caso 3: permuta que estoura o limite
Em maio, você troca 1 ETH (custo de R$ 12.000, valor de mercado de R$ 18.000 no dia) por uma stablecoin, e no mesmo mês também vende R$ 20.000 de ETH em reais. A permuta conta como alienação de R$ 18.000. Somando: R$ 18.000 + R$ 20.000 = R$ 38.000, acima do limite. As duas operações entram na tributação, mesmo a permuta, que não te deu nenhum real na conta. É por isso que controlar o mês inteiro, e não cada venda isolada, faz diferença.
Como declarar o staking de Ethereum
Staking é travar seus ETH para ajudar a validar a rede e receber recompensas em mais ETH. Do ponto de vista tributário, o terreno aqui é menos firme, e é honesto dizer isso.
Não existe norma da Receita Federal dedicada exclusivamente a staking. Não cite "a lei do staking" para ninguém, porque ela não existe. O que há é uma interpretação predominante entre contadores e tributaristas, construída por analogia com as regras gerais de criptoativos e de renda.
Por essa leitura, a recompensa recebida em staking funciona em duas etapas. No recebimento, o ETH que cai na sua conta tem um custo de aquisição igual ao valor de mercado no dia em que você recebeu, e esse valor representa um acréscimo patrimonial. Na venda futura dessas moedas, o ganho de capital é apurado sobre esse custo, como em qualquer ETH. Ou seja: se você recebeu 0,1 ETH de recompensa quando o ETH valia R$ 15.000 (logo, R$ 1.500), esse é o seu custo. Se vender esse 0,1 ETH depois por R$ 2.000, o ganho tributável é R$ 500 (sujeito ao limite de R$ 35 mil do mês).
Vale registrar que a MP 1.303/2025, derrubada pela Câmara em outubro de 2025, chegou a propor tributar a recompensa de staking na fonte, a 17,5%, no momento do recebimento. Com a queda da MP, essa regra não entrou em vigor e voltamos ao quadro anterior, sem norma específica. Como o tema tem zona cinzenta, a recomendação prática é guardar o registro de cada recompensa (data, quantidade e cotação do dia) e, em valores relevantes, conversar com um contador antes de fechar a declaração.
Na nossa plataforma, quando construímos o cálculo de ganho de capital, tratamos a recompensa de staking exatamente assim: cada entrada de recompensa registra um custo pela cotação do dia, e esse custo entra na média da posição. Mantemos paridade campo a campo com as planilhas de validação que usamos como fonte da verdade, justamente porque staking e permuta são os pontos onde a conta manual mais escorrega.
O que muda do Bitcoin para o Ethereum
Se você já declarou Bitcoin, 90% do processo é igual. As diferenças que importam:
- Código: BTC é o 01, ETH é o 02. Esse é o ponto onde mais gente troca os pés pelas mãos.
- Staking e DeFi: o ETH tem um ecossistema de staking e finanças descentralizadas muito mais ativo, então é comum o investidor de Ethereum ter recompensas e permutas a registrar, o que raramente acontece com quem só guarda Bitcoin parado.
- Volume de pequenas transações: quem usa ETH costuma fazer mais operações (swaps, taxas de rede, interações com contratos), e cada uma pode ter efeito fiscal. Reconstruir esse histórico à mão é trabalhoso.
É aqui que a importação de histórico ajuda de verdade. A plataforma reconhece os arquivos de 19 corretoras e carteiras diferentes, junta tudo numa linha do tempo única e calcula o custo médio e o ganho por mês, somando todas as moedas para checar o limite de R$ 35 mil automaticamente. Reconstruir isso na planilha, com permutas e recompensas de staking no meio, é onde a maioria erra. Crie sua conta gratuita e importe seu histórico de ETH para ver o cálculo pronto.
Erros que mais derrubam declarações de ETH na malha
Para fechar, o que mais aparece de problema, na ordem em que pesam:
- Declarar pelo valor de mercado, não pelo custo de aquisição. Inflar o saldo cria divergência na hora da venda.
- Esquecer a permuta. Trocar ETH por outra cripto é alienação e conta para o limite mensal.
- Achar que cada moeda tem seu limite de R$ 35 mil. O limite é o total de vendas de cripto no mês, somando tudo.
- Não pagar o DARF no mês certo. O ganho é mensal; esperar a declaração anual gera multa e juros.
- Ignorar as recompensas de staking como entrada patrimonial.
Se você vendeu ETH com prejuízo, não há imposto, mas ainda há o que registrar; explicamos isso em vendi cripto com prejuízo, preciso declarar?. E se quer entender a fundo a regra que isenta a maior parte dos pequenos investidores, vale ler sobre a isenção de R$ 35 mil na venda de cripto.
Perguntas frequentes
Em qual código declaro o Ethereum no Imposto de Renda?
Na ficha Bens e Direitos, grupo 08 (Criptoativos), código 02 (outras criptomoedas/altcoins). O Bitcoin tem código próprio (01), e o Ethereum, junto das demais altcoins, vai no 02. As stablecoins ficam no 03.
Preciso declarar ETH mesmo sem ter vendido nada?
Sim, se o custo de aquisição do seu Ethereum chegou a R$ 5.000 ou mais em 31/12. Declarar o saldo é uma obrigação de informação, independente de venda. O imposto só surge quando há venda com lucro acima do limite mensal.
Vendi ETH abaixo de R$ 35 mil no mês. Pago imposto?
Não. Se o total de vendas de criptoativos no mês ficou em até R$ 35.000, o ganho é isento, mesmo havendo lucro. O limite considera a soma de todas as criptos vendidas no mês, não cada moeda separada.
Como funciona o imposto sobre o staking de ETH?
Não há norma específica da Receita para staking. A interpretação majoritária é que a recompensa recebida tem custo de aquisição igual ao valor de mercado no dia do recebimento, representando acréscimo patrimonial, e a venda futura apura ganho sobre esse custo. Guarde o registro de cada recompensa e, em valores altos, consulte um contador.
Trocar Ethereum por outra cripto gera imposto?
A troca é tratada como alienação. O valor de mercado do ETH no momento da permuta entra na soma de vendas do mês para o limite de R$ 35 mil, e o ganho sobre o custo é tributável se o total mensal ultrapassar esse valor, mesmo sem reais entrarem na sua conta.
Conclusão
Declarar Ethereum se resume a duas frentes: informar o saldo pelo custo de aquisição em Bens e Direitos (grupo 08, código 02) e apurar o ganho de capital mês a mês quando suas vendas de cripto passam de R$ 35 mil, com DARF 4600 até o último dia útil do mês seguinte. O que complica é o entorno: permutas, recompensas de staking e o vaivém de pequenas operações que o ETH provoca. Manter o registro organizado o ano inteiro evita a correria de abril e o risco de malha. Se preferir não fazer essa contabilidade na mão, comece a usar a plataforma e deixe o cálculo do ganho mensal e do custo médio pronto para copiar na declaração.